07/08/2026
Data: 6 de agosto de 2026
Atividade: Reunião do Grupo de Trabalho constituído para análise da
reformulação
do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) do Tribunal de
Justiça do Estado
de São Paulo.
Local: Prédio da Consolação – TJSP, 10º andar
Próxima reunião: 19 de agosto de 2026.
1. Participantes
Pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, participaram sete
representantes de
diferentes áreas técnicas da Administração, entre eles a Sra.
Vanessa Cristina
Martiniano, da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), que conduziu
os
trabalhos, além de representantes da área relacionada às/aos
aposentadas/os, da
Diretoria de Planejamento Estratégico (DEPLAN), da Diretoria de
Folha de
Pagamento e Vantagens Funcionais dos Servidores e da Diretoria de
Governança,
Capacitação e Gestão de Carreiras.
Pelo grupo das entidades representativas, participaram os
representantes Geraldo,
Cassio e Eliane.
2. Contextualização e objetivos do Grupo de Trabalho
A reunião teve início com uma contextualização institucional e
apresentação dos
objetivos do Grupo de Trabalho.
A constituição do GT decorre de um dos pontos da pauta prioritária
da Mesa de
Negociação.
Conforme apresentado pela Secretaria de Gestão de Pessoas, a análise
técnica
preliminar realizada pelo Tribunal identificou que a discussão
acerca da
reformulação do PCCS se relaciona com outros estudos e processos
atualmente em
andamento na instituição, entre eles a discussão sobre a elevação da
escolaridade
para o cargo de escrevente, a possibilidade de criação do cargo de
Analista
Judiciário e os impactos organizacionais decorrentes do processo de
transformação
digital.
Diante da abrangência e da inter-relação desses temas, a Presidência
determinou a
constituição do Grupo de Trabalho.
O GT terá, inicialmente, prazo de dois meses para elaboração de uma
proposta,
podendo esse período ser prorrogado diante da complexidade da
matéria e da
necessidade de aprofundamento das discussões.
Foi definido que as reuniões ocorrerão quinzenalmente, às
quartas-feiras, próxima
reunião prevista para 19 de agosto de 2026.
Neste primeiro momento, o objetivo do Grupo é realizar um
diagnóstico e
compreender os problemas relacionados à atual estrutura de cargos e
carreiras e, a
partir disso, construir conjuntamente, entre Tribunal e entidades
representativas,
propostas e alternativas que conciliem a valorização das/os
servidoras/es com a
sustentabilidade institucional e a necessária viabilidade jurídica
das medidas
discutidas.
3. Dados, levantamentos e questões apresentadas pelo TJSP
O Tribunal apresentou um conjunto amplo de dados e informações que
vêm sendo
analisados pela Administração e que contribuem para a identificação
dos problemas
relacionados à atual estrutura de cargos, carreiras e remuneração.
Foram considerados, entre outros elementos, dados oriundos de
pesquisas
institucionais realizadas com servidoras e servidores, incluindo
levantamentos
relacionados ao ambiente de trabalho, às prioridades institucionais,
bem como
informações obtidas junto às pessoas que solicitam exoneração,
buscando
identificar os principais motivos para o desligamento do Tribunal.
Também foram apresentados dados comparativos e estudos sobre
estruturas de
carreira e remuneração existentes em outros Tribunais de Justiça e
em instituições
como a Alesp, Ministério Público, Defensoria Pública.
O conjunto das informações trazidas pela equipe técnica do TJSP e
pelas entidades
permitiu um debate inicial bastante amplo sobre as dificuldades
atualmente
identificadas na carreira do TJSP.
Entre os aspectos destacados pela Administração e reconhecidos pelas
entidades
na discussão, estão:
● baixa atratividade da carreira;
● dificuldade de retenção de servidoras/es;
● defasagem remuneratória;
● ausência ou insuficiência de perspectivas de desenvolvimento na
carreira;
● distorções existentes entre cargos e carreiras.
Um dos dados apresentados indica, por exemplo, que aproximadamente
80% das
pessoas que solicitaram exoneração o fizeram em razão da aprovação
em
outro concurso público, elemento considerado relevante para a
análise da
capacidade de retenção de profissionais pelo Tribunal.
A partir desses levantamentos iniciais, foram apresentadas questões
que deverão
ser aprofundadas pelo GT, entre elas:
● Como reconhecer, desenvolver e valorizar as/os servidoras/es?
● Como aprimorar remuneração e carreira sem produzir novas
distorções?
● Os cargos atualmente existentes refletem adequadamente a
realidade e as
necessidades atuais do TJSP?
● Existem lacunas na atual estrutura de cargos?
● O modelo atual de desenvolvimento profissional é satisfatório?
● Como devem ser analisados mecanismos como progressão, promoção,
capacitação e avaliação de desempenho?
Esses elementos deverão ser aprofundados ao longo das próximas
reuniões,
considerando os impactos financeiros, os limites e requisitos
jurídicos aplicáveis às
eventuais propostas, bem como os efeitos sobre a organização da
força de trabalho
e a sustentabilidade das medidas no longo prazo.
4. Apresentação inicial das entidades representativas
As entidades também apresentaram levantamentos preliminares e temas
que vêm
sendo discutidos com as categorias representadas.
Como primeira questão, o conjunto das entidades indicou a
necessidade de
ampliação da representação das entidades no Grupo de Trabalho. Foi
discutida
a possibilidade de inclusão de mais um ou dois representantes,
ampliando a
participação para até cinco integrantes das entidades.
Também foram apresentados alguns temas considerados prioritários e
que já vêm
sendo objeto de discussão com as/os servidoras/es, entre eles:
● discussão sobre nível superior (NS) para a carreira de
escrevente;
● incorporação da Gratificação Judiciária ao vencimento-base;
● incidência do cálculo das progressões/promoções sobre os
vencimentos
(vencimento básico e GAJ);
● atualização e revisão da estrutura do PCCS, inclusive no que se
refere às
progressões, promoções (níveis), às possibilidades de
desenvolvimento na
carreira e a própria organização dos cargos e carreiras;
● análise da regulamentação dos auxílios no âmbito do Plano de
Cargos,
Carreiras e Salários, incluindo auxílio-creche, auxílio-alimentação,
entre
outros;
● conclusão da equiparação da gratificação das/os assistentes
sociais e
psicólogas/os, com implementação dos 20% restantes, com extensão às
chefias, mediante proposta específica;
● restabelecimento do abono de permanência relacionado aos cargos
de
agente;
● gratificações específicas; cargos comissionados; instituto de
Acesso;
● análise de propostas e modelos de carreira que vêm sendo
estudados ou
adotados em outros Tribunais de Justiça.
● redução da jornada de trabalho (direito à desconexão);
As entidades ressaltaram que esses pontos constituem uma
apresentação inicial e
que a discussão sobre o PCCS deverá ser ampliada junto às categorias
ao longo do
processo, permitindo a construção e consolidação coletiva das
propostas.
5. Discussão sobre nível superior para escreventes técnicos
judiciários
A questão da valorização da carreira e da exigência de nível
superior para
escreventes técnicos esteve presente no debate.
A partir das manifestações ocorridas na reunião, percebeu-se que, na
compreensão apresentada pela Administração do TJSP, há, neste
momento,
uma distinção entre a alteração do nível de escolaridade exigido
para o cargo e
a valorização da carreira dos escreventes técnicos, que também pode
envolver
outras medidas relacionadas à remuneração e ao desenvolvimento
profissional.
No que se refere à implementação do nível superior nos termos
reivindicados, além
das dificuldades relacionadas ao impacto financeiro, outros
elementos foram trazidos
ao debate. Entre eles, destacam-se a necessidade de aprofundamento
dos estudos
quanto aos aspectos jurídicos e a compreensão de que, do ponto de
vista
estratégico, o Tribunal ainda teria necessidade de manutenção de uma
carreira
com requisito de ingresso em nível médio.
Sobre os aspectos jurídicos, foi destacado o Tema 697 do STF,
relacionado à
vedação ao provimento derivado, nos termos do art. 37, II, da
Constituição Federal.
Conforme apresentado pela Administração, esse entendimento deve ser considerado
na análise de propostas que envolvam reenquadramento, transformação ou transposição
de servidoras/es para cargos com exigência de escolaridade
diversa daquela prevista no momento do ingresso.
Nesse contexto, foi apontado que a impossibilidade ou dificuldade de
implementação imediata do nível superior não afastaria a discussão
sobre a
valorização dos escreventes técnicos, podendo ser analisadas outras
formas
de desenvolvimento e valorização da carreira.
No diálogo, também foram retomadas questões apresentadas no
relatório de 2025,
da gestão anterior, no qual foi indicada a necessidade de aprofundar
o que se
busca com a proposta de nível superior e quais mecanismos poderiam
efetivamente produzir valorização da carreira, considerando que
essas questões
podem não ser tratadas automaticamente como equivalentes ou de forma
conjunta.
Entre as possibilidades mencionadas está a realização de consulta
às/aos
servidoras/es, por meio de pesquisa institucional, para subsidiar o
aprofundamento
do debate.
O tema permanece em discussão e deverá ser aprofundado no decorrer
dos
trabalhos do GT, inclusive quanto aos impactos de eventual alteração
para a carreira
e para os concursos futuros.
6. Assessoria técnica especializada
As entidades informaram ao Tribunal que estão articulando a
contratação de uma
assessoria técnica especializada em carreira pública, com
experiência na
elaboração e discussão de Planos de Cargos, Carreiras e Salários no
âmbito dos
Judiciários federal e estaduais. A proposta é que essa assessoria
auxilie o conjunto
das entidades nas discussões, no levantamento dos problemas e na
construção de
possíveis soluções relacionadas à reestruturação do PCCS, buscando
contribuir
para a efetiva valorização das/os servidoras/es.
Os integrantes do Tribunal se colocaram à disposição para fornecer e
compartilhar
dados e informações técnicas que possam subsidiar os estudos e a
elaboração das
propostas.
7. Avaliação inicial
A primeira reunião teve caráter predominantemente de apresentação,
diagnóstico
inicial e levantamento das principais questões que deverão orientar
o trabalho
do GT.
Na avaliação das entidades participantes, a primeira reunião
possibilitou uma
discussão inicial positiva, com apresentação de dados e informações
pela
Administração e abertura para o debate dos dados, temas e propostas
trazidos pelas
representações.
A reformulação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários constitui
uma demanda
apresentada pelas/os servidoras/es há vários anos e envolve questões
complexas
relativas à valorização profissional, remuneração, estrutura dos
cargos,
desenvolvimento na carreira, benefícios, retenção de pessoal e
organização do
trabalho, entre outros aspectos que evidenciam a necessidade de
mudanças e
reestruturação do atual PCCS.
Por essa razão, as discussões iniciadas no Grupo de Trabalho deverão
ser
acompanhadas de um processo mais amplo de diálogo com a categoria,
de modo
que as entidades possam aprofundar os temas, consolidar
entendimentos e construir
propostas a serem apresentadas ao GT.
8. Encaminhamentos iniciais
Como encaminhamentos da primeira reunião, ficaram indicados:
● análise da possibilidade de ampliação da representação das
entidades no
Grupo de Trabalho (uma ou duas);
● continuidade das reuniões do GT com periodicidade quinzenal;
● encaminhamento, até 13 de agosto de 2026, de contribuições das
entidades para identificação e delimitação dos principais problemas
relacionados ao atual PCCS, a serem consolidadas pela SGP para
subsidiar os trabalhos do Grupo;
● realização da próxima reunião do GT em 19 de agosto de 2026.
Outros pontos levantados:
● este levantamento é um ponto de partida para as discussões, mas
haverá
necessidade de continuidade e aprofundamento do levantamento e da
análise
dos problemas relacionados ao atual PCCS;
● aprofundamento dos temas inicialmente apresentados pelas
entidades e
ampliação do debate junto à categoria;
● continuidade da análise de modelos e experiências de outros
Tribunais e
instituições;
● interlocução com a assessoria técnica especializada em carreira
pública;
● compartilhamento, pelo Tribunal, de informações e dados que
possam
subsidiar os estudos e a construção das propostas.
A reunião marcou, assim, o início de um processo de discussão que
deverá buscar
identificar os problemas estruturais do atual Plano de Cargos,
Carreiras e Salários
(PCCS) e construir alternativas que visem à valorização das
servidoras e dos
servidores do TJSP.
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