CNJ considera ilegal auxílio voto do TJ paulista
- Agência Estado
O auxílio voto, adotado pelo Tribunal de Justiça (TJ) de
São Paulo como compensação a um grupo seleto de
juízes do Estado, que passaram a ganhar até o dobro de
seus rendimentos, foi considerado ilegal e inconstitucional pelo
Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os magistrados atuavam em
processos como uma espécie de "desembargadores reserva" e
não pagavam tributos pelo benefício.
No julgamento no CNJ, a maioria dos conselheiros seguiu o voto do
relator, Marcelo Neves, que alertou para o fato de que alguns
juízes estavam recebendo mais do que desembargadores que
integram o TJ e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O salário atual dos ministros do STF é de R$ 26.723,13.
Pela Constituição Federal, o valor deveria ser o teto do
funcionalismo público.
O juiz convocado a ajudar no TJ recebia R$ 2.593,47 para atuar em 25
processos. Na decisão, tomada em abril, o CNJ concluiu que o
pagamento do auxílio voto era irregular porque dá
vantagem sem previsão na lei, concedida como verba
indenizatória - e sob esse argumento imune ao teto do STF -, e
sem o recolhimento de tributos.
Nas futuras convocações, o CNJ entendeu que os
juízes têm o direito de receber apenas a diferença
entre os seus salários originais e a remuneração
dos desembargadores. "A diferença percebida a maior, acima dos
subsídios integrais dos desembargadores, deve ser, em
princípio, devolvida aos cofres públicos", concluiu
Marcelo Neves no voto seguido pela maioria dos conselheiros do CNJ.
Neves também defendeu que os magistrados têm de recolher
os tributos devidos sobre os valores recebidos desse patamar.
Omissão
O Conselho resolveu ainda reabrir uma reclamação
disciplinar para apurar o fato de o TJ não ter prestado todas as
informações requisitadas pelo CNJ sobre o auxílio
voto.
Em seu voto, o conselheiro também determinou ao Tribunal de
Justiça que forneça em 30 dias os dados financeiros
"até aqui omitidos" relativos ao pagamento do auxílio
voto, com os respectivos valores e extratos bancários. Os
juízes que receberam o benefício deverão
apresentar suas eventuais defesas num prazo que pode chegar a 60 dias.
Em breve, o CNJ deverá discutir mais uma vez o auxílio
voto pago pelo TJ de São Paulo. O tribunal apresentou uma
questão de ordem questionando a decisão do Conselho. Se o
CNJ mantiver a decisão contrária ao pagamento do
auxílio voto, a Associação Paulista de Magistrados
(Apamagis) estuda recorrer ao STF. As informações
são do jornal O Estado de S.Paulo.