O relator explicou
que o objetivo da PEC é dar o passo inicial para a criação do estatuto.
Segundo ele, a discussão sobre o conteúdo será feita posteriormente.
"Esse debate abrangerá aspectos técnicos e políticos e, com certeza,
envolverá os demais poderes da União e dos estados", disse.
Segundo o
parlamentar, não cabe, em uma emenda à Constituição, a definição de
detalhes típicos de legislação infraconstitucional. Por isso, o
substitutivo apenas fixou prazo para a apresentação da proposta pelo
STF.
Isonomia
O deputado Major Fábio (DEM/PB), porém, lamentou que não tenha sido
ouvida a reivindicação dos servidores pela isonomia. "Para juiz, há teto
e isonomia, mas, para servidor, dizem que é inconstitucional", disse.
O relator respondeu
que não quis colocar na proposta uma determinação que só prejudicaria
sua tramitação. Em sua opinião, a luta pela isonomia deverá ser feita na
elaboração e votação do estatuto. "Quisemos abrir uma porta para que se
chegue a uma justiça igual em todos os estados brasileiros, para que
todos os trabalhadores do Judiciário possam ter isonomia", declarou.
Apesar de considerar
o momento como uma "conquista", o deputado Iran Barbosa (PT/SE)
ressaltou que agora é necessário negociar o conteúdo da lei complementar
a ser apresentada pelo Supremo. Segundo ele, não adianta conquistar a
lei no papel e depois não conseguir colocá-la em prática. "Vamos lutar
para que as diretrizes desse estatuto contemplem a valorização
profissional: salário, condições de trabalho e condições de formação da
categoria", disse.
Disparidades
De acordo com o deputado Mauro Nazif (PSB/RO), o pleito dos
servidores do Judiciário é o mesmo de todo o serviço público: corrigir
disparidades. "A aprovação da PEC abre caminho para que essa isonomia
seja atingida", disse.
Segundo Flávio Dino,
ainda há um longo caminho para que a PEC seja aprovada. Entretanto, ele
acredita que existe consenso na Casa sobre a importância de que isso se
concretize. "Os servidores do Poder Judiciário são agentes fundamentais
para que a finalidade da Justiça, que é de concretização dos direitos da
população, possa se cumprir", afirmou.
Os parlamentares que
participaram da votação declararam que vão tentar incluir a PEC na pauta
de votações deste ano.
Segundo dados da
Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados (Fenajud), o
Judiciário brasileiro possui cerca de 313 mil servidores, dos quais
15.750 togados e 296.500 não togados. Desses últimos, aproximadamente
200 mil são servidores efetivos, concursados. O total de efetivos está
dividido da seguinte maneira: 23 mil (11,5%) na Justiça Federal; 34 mil
(17%) na Justiça do Trabalho; e 142 mil (71%) na Justiça Estadual.
Tramitação
A proposta terá ainda de ser examinada pelo plenário, que para
aprová-la necessita de 308 votos em dois turnos de votação.
Após a aprovação da matéria pelo colegiado, o deputado Major Fábio (DEM/PB)
apresentou requerimento para que a proposta seja examinada pelo plenário
da Câmara.
Os membros da
comissão se comprometeram a apresentar requerimentos, a fim de incluir a
proposta na agenda de votações do plenário. (Com Agência Câmara)
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