Foi
realizado nesta sexta-feira (26/02), em São Paulo, o 3º Encontro
Nacional do Judiciário, com a presença dos presidentes de todos os
tribunais brasileiros.
Durante o evento, foram discutidas e aprovadas algumas novas
diretrizes para o Poder Judiciário e, também, sugeridas ações para
atuação do CNJ e propostas metas prioritárias para este ano de 2010
e para os próximos cinco anos.
Além de Gilmar Mendes, presidente do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que
conduziu os trabalhos, estiveram presentes os presidentes dos cinco
tribunais superiores (STJ, STF, TSE, TST e STM); dos cinco tribunais
regionais federais; dos 27 tribunais de justiça dos Estados e do
Distrito Federal; dos 24 tribunais regionais do trabalho; dos 27
tribunais regionais eleitorais e dos três tribunais militares.
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP),
desembargador Antonio Carlos Viana Santos, abriu o encontro: “O
sucesso desse evento já é esperado, pois reúne todos os tribunais
deste País”.
Gilmar Mendes, o corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson
Dipp, e o secretário-geral do CNJ, Rubens Curado, apresentaram um
balanço das 10 metas de nivelamento estabelecidas pelos presidentes
de tribunais brasileiros e cumpridas em 2009 sob a coordenação do
CNJ. “Gostaria de destacar o empenho de todos os presidentes de
tribunais, gestores, magistrados e funcionários no cumprimento das
metas”, disse Mendes. Entre elas está a Meta 2, que possibilitou o
julgamento, até o prazo prorrogado para 17 de fevereiro de 2010, de
2.724.277 processos – o equivalente a 60,74% dos processos
distribuídos até o fim de 2005. Cumpriram a Meta 1 (vide definição
abaixo) 98,60% dos tribunais brasileiros. A Meta 3 chegou a 96,70%.
Já a Meta 4 obteve alcance de 96,30%, enquanto a Meta 5 alcançou
63,94% e a Meta 6 teve 54,88%. A Meta 7 chegou a 81,93%. A Meta 8
foi cumprida em 66,66% e a Meta 9 foi incorporada por 100% dos
participantes. A Meta 10, por fim, atingiu 43,33%. “O CNJ foi um
mero coadjuvante e incentivador. Tenho certeza de que este é um
caminho sem volta; do encontro deste País com o futuro”, comentou
Dipp.
Consultor
Logo após a abertura do encontro, o professor da universidade
Harvard e phD em gestão de negócios Robert Kaplan fez uma
apresentação por videoconferência. Ele falou sobre a importância do
engajamento de todos os funcionários para que as estratégias sejam
cumpridas com sucesso, ainda que estas sejam adaptadas ou refeitas
periodicamente.
O especialista também comentou sobre a necessidade de que a
prestação de serviços tenha a mesma qualidade em todas as instâncias
e localidades.
Corregedores
Paralelamente ao Encontro de presidentes, foi realizada
uma reunião entre os corregedores-gerais dos tribunais e o
corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp. Na ocasião,
ele mencionou que os corregedores devem servir de elo entre os
juízes de 1ª Instância e os tribunais, pois são nas corregedorias
que deságuam as reclamações que indicam as dificuldades que precisam
ser superadas. Ele ressaltou a necessidade de as
corregedorias realizarem correições e inspeções periódicas.
O ministro também esclareceu que as inspeções da Corregedoria
Nacional têm sido realizadas nos tribunais estaduais e federais e
frisou que o grande número de questionários apresentados para o
preenchimento pelos juízes é necessário para que se possa conhecer a
realidade do Poder Judiciário e, assim, efetivar políticas de
planejamento e gestão.
Dipp acrescentou ainda que, num futuro próximo, esses dados
serão obtidos automaticamente pelo sistema informatizado,
exonerando-se, assim, os magistrados de tal atividade, já que hoje
eles são os responsáveis pelo preenchimento.
“A minha preocupação não é o número de processos, pois se temos
essa quantidade de processos é porque o Judiciário ainda tem
credibilidade muito alta junto à sociedade. Ninguém recorreria à
Justiça se não acreditasse nela”, afirmou o corregedor nacional de
Justiça.
Resultados
O conselheiro Marcelo Neves, membro da Comissão de Gestão
Estratégica, Estatística e Orçamento do CNJ, divulgou resultados de
pesquisa realizada em todas as regiões do País, com vista a
identificar pontos fortes e pontos fracos do Judiciário brasileiro.
A pesquisa listou algumas das prioridades que a sociedade civil
brasileira identificou, no que diz respeito ao serviço oferecido
pelo Poder Judiciário.
De acordo com a pesquisa, a sociedade civil acredita que a
Justiça brasileira apresenta pontos fortes, como seriedade,
profissionalismo, ética profissional e acerto nos julgamentos.
Porém, ainda há muito a se fazer, como melhorar a rapidez com que se
julgam os processos, modernizar e facilitar o acesso da população à
Justiça, além de se tornar mais transparente.
Segundo Marcelo, há muitos objetivos a serem atingidos. “O
Judiciário está longe de ter o conhecimento técnico e a estrutura
necessária para atender à nova demanda que a tecnologia da
informação necessita”. “Não podemos ter um Judiciário paquiderme em
cidades do tamanho de São Paulo, precisamos dar mais celeridade à
nossa Justiça”, continuou.
Com relação ao futuro do Poder Judiciário, comentou: “Precisamos
saber quais as dificuldades que se apresentam, para que possamos, em
um futuro próximo, ter um Poder Judiciário cada vez melhor para
todos”.
Para discorrer sobre a priorização de ações e metas nacionais
para 2010, o ministro Gilmar Mendes retomou a palavra e falou sobre
o mutirão carcerário, além das atuais condições do sistema prisional
brasileiro. “Temos como meta para 2010 zerar o número de presos
recolhidos em delegacias no Brasil”, falou. “As dificuldades são
grandes, pois quase 12% da massa carcerária brasileira está nas
delegacias, mas com muito empenho vamos alcançar este objetivo”.
O coordenador do mutirão carcerário, Erivaldo Ribeiro dos
Santos, falou sobre a evolução da população carcerária brasileira e
divulgou alguns dados sobre os presos em todo o Brasil. “Temos um
déficit histórico de 167 mil vagas no País”, informou. “Há uma
grande expectativa dos secretários de segurança de todos os Estados
com relação a esse trabalho do CNJ, de planejamento estratégico da
segurança pública do nosso País”, encerrou.
Na sequência, o conselheiro do CNJ Valter Nunes comentou a
respeito do plano da Justiça criminal. “Queremos um plano de Justiça
criminal audacioso, e que sua execução seja ainda melhor”.
O ministro Gilmar Mendes retomou o discurso: “O CNJ vai listar
os cem maiores litigantes em todo o País, com base em dados
fornecidos pelos respectivos Tribunais de Justiça brasileiros”,
comentou. E continuou: “Entre as metas prioritárias nacionais para
2010, de acordo com os presidentes de todos os tribunais
brasileiros, estão julgar quantidade igual de processos a de 2009;
julgar todos os processos distribuídos até 31/12/2006; lavrar e
publicar todos os acórdãos em até dez dias, após o julgamento;
reduzir em pelo menos 2% o consumo com energia, telefone, papel,
água e combustível nos tribunais. ”Ofertar aos cidadãos serviços
judiciais nas localidades não abrangidas por algum ramo da Justiça,
disponibilizar mensalmente a produtividade dos magistrados no portal
do tribunal, realizar por meio eletrônico 90% das comunicações
oficiais entre os órgãos do Poder Judiciário, inclusive cartas
precatória e cartas de ordem, também fazem parte da lista de metas
nacionais para 2010”, concluiu.
Para falar sobre o papel da magistratura nacional na execução do
Planejamento Estratégico do Poder Judiciário, tomou a palavra o juiz
Airton Mozart Valadares Pires, presidente da Associação dos
Magistrados Brasileiros (AMB). “Precisamos identificar as carências
e necessidades do Judiciário, para que possamos aplicar o orçamento
a fim de melhorar o atendimento jurisdicional e a qualidade do
Judiciário brasileiro”, citou. “A nossa meta é qualificar nossos
servidores, para que nosso Poder Judiciário desenvolva um trabalho
cada vez melhor”, finalizou.
O juiz Fernando Cesar Baptista de Mattos, presidente da
Associação dos Juízes Federais (AJUFE), disse: “É preciso capacitar
nossos magistrados para que possamos cumprir as metas definidas pelo
CNJ”. “Buscamos o fortalecimento do Poder Judiciário e a sua
aproximação com a população brasileira”, finalizou.
Luciano Athayde Chaves, juiz presidente da Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA), comentou: “O
grande desafio deste evento é transportar as ideias que são aqui
colocadas para todos os juízes brasileiros. Este é o nosso grande
objetivo”. E, ao comentar as metas propostas pelo CNJ, diagnosticou:
“Para que possamos atingir as metas, precisamos, em primeiro lugar,
respeitar os limites dos magistrados. Todos nós sabemos que os
tribunais de todo o País estão operando nos seus limites”.
No painel que tratava sobre a avaliação estratégica de 2009 e as
perspectivas para 2010, o presidente do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, desembargador Antonio Carlos Viana Santos,
discursou: “É necessário especializar o Poder Judiciário do Estado
de São Paulo. A conciliação é imprescindível para a Justiça
paulista”. “A grande preocupação da nossa administração é com
relação aos precatórios. Temos dados concretos de alguns precatórios
que, dentro de poucos anos, vão atingir valores bastante
expressivos, dificultando, dessa forma, o seu total pagamento”,
citou.
E sobre a diferença entre os diversos tribunais do País,
concluiu: “Precisamos entender a assimetria que há entre os
tribunais brasileiros. Devemos analisá-los individualmente, uma vez
que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por sua magnitude,
não pode ser analisado de forma simétrica com os outros Tribunais do
País”.
O ministro Ary Pargendler, vice-presidente do Superior Tribunal
de Justiça, falou: “O STJ encara essas metas do CNJ como desafios.
Estamos engajados em atingi-las”.
O presidente do Superior Tribunal Militar, ministro Carlos
Alberto Marques Soares, discorreu sobre a missão do STM: “Para
defender as fronteiras do nosso País, objeto de desejo de poderosas
nações de todo o mundo, faz-se indispensável ter uma Justiça militar
apta a julgar os crimes militares que possam ocorrer no cumprimento
deste importante dever.” “Pelo fato de a vida do militar das Forças
Armadas estar sob tutela de leis e regulamentos muito mais rígidos
do que do cidadão comum, temos um numerário processual muito menor
do que os outros tribunais, mas não menos importantes”, continuou o
ministro. E terminou: “Faremos o nosso melhor para cumprir as metas
determinadas pelo CNJ”.
Após, falou o ministro Milton de Moura França, presidente do
Tribunal Superior do Trabalho: “O TST concluiu, até o fim de
dezembro do ano passado, mais de 86% dos processos incluídos na meta
2. Encerramos o ano com a solução de 205 mil processos, recorde
histórico e fato de grande repercussão na imprensa brasileira.” E
finalizou: ”Ouve resposta altamente positiva do TST aos desafios
propostos pelo CNJ em 2009”. Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto,
presidente do Tribunal Superior Eleitoral, disse: “A Justiça
Eleitoral brasileira aderiu às metas determinadas pelo CNJ, que
objetiva tirar o Judiciário brasileiro do imobilismo.” E finalizou:
“Tenho plena confiança que o CNJ está num bom caminho”.
Encerrando o evento, o ministro Gilmar Mendes listou as dez
metas do CNJ para o ano de 2010 e determinou que os tribunais
apresentem um plano para cumprimento das metas que, porventura não
tenham sido cumpridas em 2009.
“Estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos neste 3º
Encontro Nacional do Poder Judiciário. Tínhamos receio que a
divulgação das metas pudesse causar algum tipo de constrangimento
institucional”, falou. “Isso, para minha surpresa, não aconteceu.
Obviamente, ainda temos muito trabalho pela frente, mas os
resultados que estamos alcançando são bastante positivos. Agradeço o
apoio irrestrito de todos os tribunais, que tornaram possível este
evento aqui em São Paulo”, finalizou.
Metas Prioritárias para 2010
1. Julgar quantidade igual à de processos de conhecimento
distribuídos em 2010 e parcela do estoque, com acompanhamento
mensal.
2. Julgar todos os processos de conhecimento distribuídos (em 1º
grau, 2º grau e tribunais superiores) até 31/12/2006 e, quanto aos
processos trabalhistas, eleitorais, militares e da competência do
tribunal do Júri, até 31/12/2007.
3. Reduzir em pelo menos 10% o acervo de processos na fase de
cumprimento ou de execução e, em 20%, o acervo de execuções fiscais
(referência: acervo em 31/12/2009).
4. Lavrar e publicar todos os acórdãos em até 10 (dias) após a
sessão de julgamento.
5. Implantar método de gerenciamento de rotinas (gestão de
processos de trabalho) em pelo menos 50% das unidades judiciárias de
1º grau.
6. Reduzir em pelo menos 2% o consumo per capita (magistrados,
servidores, terceirizados e estagiários) com energia, telefone,
papel, água e combustível (ano de referência: 2009).
7. Disponibilizar mensalmente a produtividade dos magistrados no
portal do tribunal, em especial a quantidade de julgamentos com e
sem resolução de mérito e homologatórios de acordos, subdivididos
por competência.
8. Promover cursos de capacitação em administração judiciária,
com no mínimo 40 horas, para 50% dos magistrados, priorizando-se o
ensino à distância.
9. Ampliar para 2 Mbps a velocidade dos links entre o Tribunal e
100% das unidades judiciárias instaladas na Capital e, no mínimo,
20% das unidades do interior.
10. Realizar, por meio eletrônico, 90% das comunicações oficiais
entre os órgãos do Poder Judiciário, inclusive cartas precatórias e
de ordem.
Fonte: Tribunal de Justiça SP